Carreira e Mercado
FIM DAS BETS: MILHARES DE DEVS NA RUA EM 7 DIAS
há 2 h
O vídeo analisa os possíveis efeitos, para profissionais brasileiros de tecnologia, do fechamento de sites de apostas previsto para 6 de outubro e de um projeto de lei enviado ao Congresso junto com a medida provisória que regula o setor.
Estimativa de empregos afetados
O único número público citado vem de um estudo da LCA Consultores, encomendado por associações de empresas de apostas. O levantamento estima:
- Mais de 10 mil empregos diretos;
- 5,5 mil empregos indiretos;
- Cerca de 15,5 mil trabalhadores no total;
- Salário médio de aproximadamente R$ 7 mil.
O estudo não separa quantos desses profissionais trabalham em tecnologia. A estimativa apresentada no vídeo é uma “conta de padaria”: considerando que entre 20% e 35% das equipes estejam em tecnologia, dados, produto e design, o impacto direto ficaria em torno de 2 mil a 3 mil pessoas. Incluindo profissionais de fornecedores de tecnologia, APIs e outros serviços, a estimativa chega a 2 mil a 4 mil profissionais de tecnologia.
O cálculo inclui desenvolvedores, profissionais de dados, produto, design, DevOps e áreas relacionadas, mas não inclui marketing.
Onde esses profissionais trabalham
Embora boa parte das apostas, cassinos, jogos de “tigrinho” e “aviãozinho” use serviços terceirizados e APIs externas, as empresas mantêm equipes internas para integrar e operar componentes como:
- Sistemas de CRM;
- Pagamentos e Pix;
- Antifraude;
- Verificação de identidade e reconhecimento facial;
- Integrações de dados;
- Aplicativos e plataformas próprias.
O vídeo cita alguns exemplos de empresas com presença relevante no Brasil:
| Empresa | Informações citadas |
|---|---|
| Flutter Brasil | Dona da Bet nacional; usaria uma plataforma própria desenvolvida no Brasil pela NSX, empresa associada ao Porto Digital, em Recife. A área de tecnologia da NSX teria quase triplicado em um ano. |
| Betano | Escritório em Pinheiros, São Paulo, com cerca de 200 funcionários no início de 2025 e meta de chegar a 400. |
| Estrela Bet | Empresa com sede em Belo Horizonte, cerca de 200 pessoas e uso de Ruby on Rails em parte de seus sistemas; havia vagas para engenharia de dados. |
Por isso, o impacto pode atingir especialmente profissionais concentrados em Recife, São Paulo e Belo Horizonte, além de trabalhadores de empresas fornecedoras.
Risco para fornecedores
A análise considera que os primeiros afetados podem ser fornecedores e fábricas de software que dependem de casas de apostas como clientes principais. Isso inclui empresas responsáveis por:
- Desenvolvimento ou manutenção de partes dos aplicativos;
- Reconhecimento facial;
- Consultoria e engenharia de dados;
- Gateways de pagamento;
- Sistemas antifraude;
- APIs e infraestrutura tecnológica;
- Publicidade, patrocínio e monitoramento esportivo.
O vídeo afirma que associações de empresas de apostas teriam combinado manter funcionários por aproximadamente uma semana enquanto aguardavam decisões políticas e judiciais. Também cita o rompimento de contrato com a Sport Radar, plataforma usada para monitoramento de manipulação de resultados esportivos, e possíveis cortes em contratos com fornecedores.
A consequência apontada é que uma fábrica de software pode perder um cliente rapidamente, mesmo que seus funcionários nunca tenham trabalhado diretamente para uma casa de apostas.
Projeto de lei e possível responsabilização criminal
O principal alerta do vídeo é um projeto de lei ainda não aprovado. Segundo o texto apresentado no vídeo, a proposta transformaria em crime fornecer, disponibilizar, licenciar, hospedar, distribuir ou manter programa ou plataforma de apostas sabendo de sua finalidade.
A pena citada é de 2 a 4 anos de prisão, além de multa. A regra poderia atingir diretamente desenvolvedores, profissionais de DevOps, equipes de produto, empresas de hospedagem, fornecedores de APIs e outras companhias que mantivessem sistemas para apostas consideradas ilegais.
O vídeo ressalta que o projeto ainda poderia mudar, ser rejeitado ou ficar parado no Congresso. Portanto, a responsabilização descrita é uma possibilidade condicionada à aprovação do texto, não uma regra já vigente.
O mesmo raciocínio é aplicado a afiliados e influenciadores de apostas, cuja atividade também poderia ser criminalizada conforme a proposta mencionada.
Mercado legal e clandestino
A avaliação apresentada é que as apostas regulamentadas não desapareceriam completamente. O vídeo cita uma estimativa de que o mercado clandestino representava entre 38% e 44% das casas de apostas antes da medida provisória. Também afirma que empresas ilegais estariam aproveitando o momento para lançar novos sites e aplicativos, contratar influenciadores e buscar profissionais.
O alerta para desenvolvedores é evitar propostas de manutenção de sistemas de apostas offshore, mesmo quando o recrutador oferecer trabalho remoto e pagamento em dólar. O vídeo dá como exemplo uma empresa sediada em Curaçao que poderia contratar um profissional para manter um backend. Caso o projeto seja aprovado no formato citado, aceitar esse tipo de trabalho poderia resultar em processo criminal.
Possível recolocação em fintechs
Apesar do risco de demissões, o vídeo destaca que a experiência acumulada em apostas pode ser aproveitada em outros setores. Profissionais desse mercado lidam com sistemas de alta concorrência e tempo real, pagamentos, Pix, antifraude, reconhecimento facial, modelos de risco e grandes volumes de transações.
Essas competências poderiam ser úteis em fintechs, bancos digitais, empresas de comércio eletrônico e grandes varejistas. A avaliação é que profissionais contratados diretamente por casas de apostas talvez consigam se recolocar com mais facilidade por terem experiência de produto e operação, enquanto trabalhadores de fornecedores especializados em APIs podem sofrer um impacto mais imediato.
O vídeo também cita como referência o caso das Filipinas: após o banimento de empresas de apostas offshore em 2024, a estimativa era de 24 mil filipinos desempregados, e o governo teria disponibilizado cerca de 14 mil vagas para reduzir o impacto.
O desfecho defendido no vídeo é que o encerramento das operações de apostas pode ser positivo para o país, mas exigirá atenção aos trabalhadores afetados. A recomendação apresentada aos profissionais de tecnologia é começar a buscar oportunidades em fintechs e evitar novas vagas ligadas a apostas, especialmente operações offshore ou clandestinas, enquanto o projeto de lei ainda tramita.
Fontes
- YouTubeFIM DAS BETS: MILHARES DE DEVS NA RUA EM 7 DIAS